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Apoio social é fundamental para mulheres com Fibromialgia e disfunção sexual

Publicado 07/03/2018
Notícias

O estudo intitulado "Social Support for Female Sexual Dysfunction in Fibromyalgia", publicado na revista Clinical Nursing Research, mostrou que mulheres com Fibromialgia, que sofrem de disfunção sexual, sentem que precisam de apoio não só dos seus parceiros, mas também das associações de pacientes e profissionais de saúde.

A disfunção sexual é comum em mulheres com fibromialgia, pois a doença pode causar sintomas neurovegetativos, como diminuição do sono e do apetite sexual, causando relações sexuais dolorosas, diminuição da lubrificação ou comprometimento dos músculos pélvicos.

Pesquisas anteriores mostram que o estigma, a autogestão, o enfrentamento e o apoio social desempenham um papel importante no resultado da qualidade de vida dessas mulheres e de seus parceiros. Pesquisadores espanhóis queriam explorar e compreender as experiências e expectativas dessas mulheres em relação ao sistema de apoio social para a disfunção sexual feminina.

Treze mulheres fizeram parte do estudo. Na primeira etapa, cinco participaram de um “focus group”; as outras oito foram incluídas na segunda parte, que consistia em entrevistas em profundidade.

Dois temas gerais foram abordados, o primeiro relacionado à "busca de compreensão no apoio sociofamiliar" e o segundo relacionado à "falta de apoio formal em relação à sexualidade da paciente com Fibromialgia".

Em relação ao primeiro tema, as participantes concordaram com a necessidade de apoio dos parceiros, que são considerados uma parte importante de suas vidas diárias. Como a doença pode afetar as relações íntimas, as mulheres sentiram a necessidade de compartilhar com eles e chegar a um entendimento. Além disso, as mudanças que ocorrem no corpo das pacientes, causadas pela menopausa ou pelos tratamentos, fazem com que elas sintam como se estivessem convivendo com uma ameaça de quebra potencial de seus relacionamentos.

Com relação ao papel das associações de pacientes como fonte de apoio social, as participantes acharam ser muito importantes. Embora as mulheres conversem sobre Fibromialgia com os membros da família, normalmente isso não se estende à sexualidade. Portanto, as associações de pacientes desempenham um papel vital no fornecimento de apoio social a essas mulheres, que se sentem acolhidas e podem compartilhar experiências.

O segundo tema foi dividido em duas subcategorias: a estigmatização da doença e a falta de interesse dos profissionais de saúde com relação à sexualidade.

As mulheres, muitas vezes, relatam falta de compreensão e atitude distante e desinteressada por parte dos profissionais de saúde. Sentem-se estigmatizadas e isso faz com que tenham medo de falar sobre a Fibromialgia e os problemas sexuais relacionados. As pacientes também sentem como se seus problemas sexuais fossem banalizados ou inexistentes quando passam por consultas médicas.

Os autores sugerem que uma avaliação da “Disfunção Sexual Feminina” precisa ser incorporada ao atendimento de rotina para mulheres com dor, fadiga crônica, tratamento cirúrgico ou fibromialgia e considerado em conjunto com aspectos relacionados ao suporte físico, psicológico e social.

"Uma avaliação abrangente e individualizada da “Disfunção Sexual Feminina” na fibromialgia poderia ajudar a gerir sintomas e melhorar o processo de enfrentamento", concluíram.

Fonte: GRANERO-MOLINA, J. et al. Social Support for Female Sexual Dysfunction in Fibromyalgia. Clin Nurs Res, v. 27, n. 3, p. 296-314.